Entrevista

O Espaço Cultural procurou a escritora Solyen Davö que colabora conosco com alguns contos e crônicas e ela gentilmente nos atendeu. Leia a entrevista na integra.

 

EC - Para começar a entrevista, quais são seu planos de trabalho?

Sol - Não costumo fazer muitos planos vou trabalhando conforme a inspiração chega e, o tempo me permite. Estou concluindo o romance Ira trabalho que já venho realizando há dez anos e iniciando um novo livro que possivelmente terá o nome de Hokhmah.

EC - Como é ser escritora e ao mesmo tempo trabalhar no sistema público de educação?

Sol -Às vezes é complicado, mas em alguns momentos, extremamente gratificante. Os alunos da escola pública nem sempre possuem o hábito de ler quando eles se deparam com uma professora de química que escreve romances e poesias, a curiosidade é aguçada, isto faz com que eles se aproximem mais.

EC - Como professora de química o tempo não é escasso para desenvolver projetos na área cultural com seus alunos?

Sol - É daí que vem o desafio! É uma batalha constante, primeiramente, convencer os dirigentes das escolas que é possível realizar "n" projetos envolvendo toda e qualquer área do conhecimento. Um projeto teatral, por exemplo, ele pode ser trabalhado nos diversos componentes curriculares. A melhoria no desenvolvimento do educando envolvido em um projeto é superior a daqueles que não se envolvem em atividades extra-curriculares. O teatro, por exemplo, aumenta a capacidade de integração social, de responsabilidade, de ampliação do vocabulário e do universo cultural, sem falar que esse aluno passa a ler muito mais.

EC - A política educacional vigente é satisfatória?

Sol - Eu acho que no momento nos vivemos um paradigma temos alguns planos propostos pela secretaria de educação excelentes,. mas devido ao ranço existente em alguns profissionais da área educacional que estão apegados ao passado e que não aceitam o novo entrava o processo. Acho que seria necessário uma reformulação, principalmente, no modo de pensar de determinadas pessoas retrógradas que insistem somente em criticar ou, pior, utilizarem de um autoritarismo para manter um modelo ultrapassado.

EC - Qual é sua visão da progressão continuada, afinal, ela é melhor ou pior que a progressão avaliada?

Sol - Não existe progressão continuada sem avaliação o que deixou de existir é uma avaliação de resultados de forma incoerente. O que faz com que a progressão continuada seja tão criticada não é ela em si, mas um número elevado de profissionais despreparados para lidar com ela. Progressão continuada não significa promoção automática, ao contrário, implica num sistema de avaliação muito mais complexo.

EC - Como você agora está residindo em Itanhaém, o que você acha que pode ser melhorado na área de Arte e Cultura na sua cidade?

Sol- Muitas coisas. Uma delas poderia ser a criação de grupos teatrais na comunidade escolar, porque cultura anda de mãos dadas com a educação. A criação de um grande evento envolvendo os diversos segmentos culturais em âmbito regional ou mesmo nacional. A cidade possui um grande potencial turístico natural que poderia ser incrementado pela realização de eventos culturais trazendo para o município um novo tipo de turista. Isso melhoraria o comércio local incentivaria a cultura e motivaria nossos educandos na área cultural.

EC - Mas esse evento estaria ligado a qual área artística?

Sol- A todas as áreas. Teatro, música, artes plásticas, dança e outros.

EC - Você tem planos para ingressar na política?

Sol - Bem, a política faz parte da vida de todo cidadão. Todas as decisões políticas influenciam positiva ou negativamente a vida de todos. Eu, particularmente, gosto e tenho ambições políticas sim, mas não para o momento, talvez daqui alguns anos. Afinal, apesar de morar em Itanhaém há mais de 12 anos, na maioria do tempo fui obrigada a trabalhar aqui em São Paulo e ultimamente em Mongaguá, isso fez com que eu não tivesse uma popularidade muito grande na cidade o que dificultaria um trabalho político no momento.

EC - Bem, para terminarmos nossa entrevista podemos fazer um ping-pong?

Sol - Pois não, sinta-se à vontade.

EC - Um cantor ou cantora.

Sol - Elis Regina

EC - Um ator ou atriz

Sol - Fernanda Montenegro

EC - Uma música.

Sol - Air On The G String - Bach

EC - Um pintor

Sol - Van Gogh

EC - Um lugar

Sol - Aquele em que sinto paz.

EC - Um livro

Sol - Os Escravos (Castro Alves)

EC - Um escritor

Sol - Kahlil Gibran

EC - Vida

Sol - Trabalho

EC - Morte

Sol - Realização

EC - Deus

Sol - Tudo

EC - Guerra

Sol - Intolerância

EC - Paz

Sol - Aceitação

EC - Um sonho

Sol - Que todos os povos, independente de raça, credo ou cor possam viver em harmonia formando um elo inquebrantável.

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